Agentes da Polícia Nacional iniciam nesta quarta-feira uma greve de três dias

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Os agentes da Polícia Nacional (PN) iniciam nesta quarta-feira, 27, a partir das oito horas, uma greve de três dias, com o apoio da Confederação Cabo-verdiana dos Sindicatos Livres (CCSL).

Em declarações à Inforpress, à saída da última e terceira ronda negocial, num curto espaço de tempo, o presidente do Sindicato Nacional da Polícia, José Barbosa, disse que a greve convocada pelo SINAPOL “manter-se-á para os dias 27, 28 e 29” deste mês”.

“Havia um acordo em que a actualização salarial se fizesse a partir de Janeiro de 2018. Temos o dito por não dito”, precisou o líder do SINAPOL, para quem “faltou outra vez a diplomacia por parte do Ministério da Administração Interna (MAI), não obstante ter recusado a actualização da PN, não tem nenhuma perspectiva à volta disto”.

Segundo o presidente do sindicato dos agentes policiais, das conversas havidas ao longo das três rondas negociais pode-se depreender que os responsáveis do MAI estão “acomodados em implementar recursos materiais na Polícia Nacional”, sem que se fale mais da questão salarial, “como se os profissionais da PN não fossem importantes”.

“O senhor ministro disse que, mesmo havendo greve, isto não afectaria a segurança interna do país”, lamentou José Barbosa.

Instado se uma greve nacional não atingiria o país, o responsável máximo do SINAPOL respondeu nesses termos: “Tenho por mim que a Polícia Nacional cabo-verdiana é extremamente importante. É o pilar da democracia e do desenvolvimento deste país. O turismo não vai a lugar algum sem a segurança interna. Foi por alguma razão que o senhor ministro aceitou investir milhares em viaturas destinadas à PN. Quer dizer que assumiu que, realmente, a Polícia Nacional é importante. Só não quer assumir que a actualização salarial também é importante”.

Nas palavras de José Barbosa, em tese, o ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, “assumiu a responsabilidade de acontecer a actualização salarial a partir de Janeiro de 2018, mas deu o dito por não dito”.

Perguntado se não temem que o Governo possa recorrer à requisição civil para anular os impactos da greve, o presidente do SINAPOL preferiu não entrar em pormenores à volta desta questão.

“Hoje, ainda havia a hipótese de chegarmos a um entendimento, mas, infelizmente, o Ministério da Administração não quer, taxativamente, falar sobre a matéria da actualização salarial ao nível da Polícia Nacional”, queixa-se o sindicalista, lembrando que o Governo “havia assumido esta responsabilidade”.

Paulo Rocha, numa declaração à imprensa durante uma recente visita a Portugal, justificou que uma das razões para a não actualização do salário da classe policial tem a ver com o mau ano agrícola que este ano assolou o país.

Solicitado a pronunciar-se sobre a explicação do ministro, José Babosa lembrou que “as amarguras da seca são para todos”

Interrogado sobre o que  terá falhado, depois de três rondas negociais, esclareceu que houve “falta de boa vontade por parte do Governo”.

“Fez (o Governo) um lindo trabalho, apoiamos e elogiamos a introdução de recursos materiais na Polícia Nacional cabo-verdiana, mas temos que manifestar a nossa indignação no que toca ao aspecto salarial”, sublinhou, ressaltando que há o “agravante da sobrecarga horária”, que, segundo ele, leva os agentes a trabalhar “o dobro do tempo legal previsto na lei”.

A este respeito, o vice-presidente do SINAPOL, Benvindo Semedo Mendes, revelou à Inforpress que o comandante nacional adjunto da PN, Daniel de Pina, presente nas negociações, ao ser confrontado com a sobrecarga horária, “mandou o pessoal a apresentar queixas nos tribunais”.

Por sua vez, o presidente da CCSL, José Manuel Vaz, assegurou à Inforpress que a confederação sindical que representa, desde início, esteve envolvida nestes problemas dos policiais, pelo que “apoia a greve”.

Na Praia, os policiais em greve vão concentrar-se à frente do comando de Achada de Santo António, enquanto nos restantes concelhos e ilhas a concentração far-se-á à frente das respectivas esquadras.

O presidente do SINAPOL apela a todos os profissionais a uma adesão massiva à greve para demonstrar a força que a PN tem no país.

A Inforpress tentou ouvir os representantes do MAI nas negociações, mas estes escusaram-se a fazer quaisquer declarações, alegando que o Ministério as fará posteriormente.

Por: Inforpress