Angola: apenas um médico para 4400 habitantes

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Angola conta, atualmente, com 6400 médicos para uma população de cerca de 28 milhões de habitantes, número que a ministra da Saúde angolana considera insuficiente, defendendo, por isso, maior aposta na formação de quadros. 

Sílvia Lutukuta, que falava à imprensa no final da sessão de abertura do XII Congresso Internacional de Médicos em Angola, em Luanda, recordou a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que para cada 1000 habitantes exista um médico.

Nessa estatística, Angola deveria ter 28.000 médicos ao serviço, quando no quadro atual existe apenas um para cerca de 4400 habitantes.

«Ainda só temos 6000, isso significa que temos que continuar a formar, mas formar com qualidade e diferenciar os médicos nas várias áreas de saber», disse a ministra, à margem de um congresso, em Luanda, subordinado ao tema ‘Os médicos e a criação de um ambiente favorável para a saúde’.

Questionada sobre o facto de em Angola enfermeiros exercerem o papel de médicos, para colmatar essa deficiência, Sílvia Lutukuta defendeu que o problema precisa de ser visto noutra vertente.

«Precisamos de trabalhar mais nos nossos cuidados primários de saúde, para evitarmos as enchentes nas unidades centrais. Claro que os enfermeiros também têm o seu papel dentro dos padrões existentes, de acordo com a lei, e nós temos que valorizar o seu trabalho», referiu.

A titular da pasta da Saúde disse ainda que os médicos são elementos fundamentais no sistema de Saúde e os desafios atuais que o setor enfrenta têm que ser tratados de forma integrada, através da partilha de conhecimentos.

«É o que se está a fazer aqui e discutindo profundamente os problemas do setor e dando um contributo para a solução dos problemas», salientou, defendendo ainda a prestação de cuidados de saúde de forma mais humanizada, não só aos utentes, mas também aos pares.

Sílvia Lutukuta recordou que durante dois dias, neste congresso que termina esta sexta-feira, a classe médica terá a oportunidade de abordar casos específicos de estudo já realizados, partilhando desse modo experiências entre si, e com profissionais, portugueses, brasileiros, cubanos, moçambicanos, cabo-verdianos, guineenses e são-tomenses.

Segundo a ministra, «é necessário que se alie a prática da medicina à investigação», contudo, «são necessários mais recursos para a sua realização».

Por: Lusa