Centenas de pessoas despediram-se hoje, ao som da morna, do diplomata, músico e poeta, até agora ministro adjunto, Júlio Herbert, que morreu segunda-feira, no seu gabinete, no Palácio do Governo, vítima de ataque cardíaco.
https://www.instagram.com/p/B4A52Y0JKQ1/
Na cerimónia fúnebre que decorreu no Palácio do Governo, na cidade da Praia, Júlio Herbert foi homenageado pelos elementos do Governo, deputados, membros da oposição, autarcas, representantes do corpo diplomático, família e dezenas de funcionários do executivo.
“O falecimento de Júlio, de forma repentina, enche-nos de tristeza, mas reforça a nossa responsabilidade de tudo fazermos para não lhe faltarmos, aos sonhos que tinha com o nosso Cabo Verde. A liberdade e a dignidade da pessoa humana eram as bússolas da sua atuação cívica”, destacou, no elogio fúnebre, em nome do Governo, o ministro de Estado e da Presidência do Conselho de Ministros, Fernando Elísio Freire.
O ministro adjunto do primeiro-ministro de Cabo Verde para a Integração Regional, Júlio Herbert, 64 anos, foi encontrado morto ao final da tarde de segunda-feira, no seu gabinete, no Palácio do Governo.
A autópsia realizada no dia seguinte concluiu que a morte ficou a dever-se a um “enfarte agudo do miocárdio”, divulgou o Governo.
Hoje cumpre-se o segundo e último dia de luto nacional decretado pelo executivo de Cabo Verde.
Na mesma intervenção fúnebre, numa cerimónia que terminou em forte emoção ao som da conhecida morna “Areia di Salamansa”, de Abílio Duarte, cantada ao vivo, o representante do Governo elogiou Júlio Herbert enquanto “possuidor de um conhecimento acima da média”, que “representava o verdadeiro crioulo” cabo-verdiano.
“Era um conhecedor profundo do nosso país, das nossas gentes e da nossa cultura”, reconheceu Fernando Elísio Freire, recordando que, enquanto “diplomata sagaz”, Júlio Herbert “sempre defendeu Cabo Verde como ponte entre mundos”.
O governante acrescentou que Júlio Herbert “contribuiu de forma entusiástica e decisiva para o aprofundamento das relações com o continente africano e estava a ajudar a construir uma nova abordagem ao espaço da CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental]”.
Júlio Herbert, um dos 13 ministros do atual executivo cabo-verdiano, era formado em Diplomacia pelo Instituto Rio Branco, de Brasília, e em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
Entre outros cargos, o até agora ministro adjunto do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, foi cônsul-geral adjunto de Cabo Verde em Boston, Estados Unidos da América, assessor político-diplomático da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), conselheiro do Presidente da República e conselheiro político e diplomático do primeiro-ministro.
“Para ele, o fácil era óbvio de mais e queria sempre analisar todas as variáveis da sociedade de forma holística e sistemática, como gostava de realçar”, enfatizou o ministro Fernando Elísio Freire.
Diplomata de carreira, Júlio Herbert nasceu em 16 de novembro de 1954 em Bissau, capital da Guiné-Bissau, filho de pais cabo-verdianos.
Por: Lusa





