A noticia de que Cabo Verde esta fora de qualificação para o AfroBasket 2017, caiu que nem uma bomba nos ouvidos dos internacionais cabo-verdianos da modalidade.

Até ao momento a Federação Cabo-verdiana de Basquetebol (FCBB) não pronunciou-se sobre este assunto, apenas jogadores profissionais, e outros que já pertenceram a equipa, a manifestarem-se.

Um deles é Ivan Almeida, um dos melhores e mais acarinhado da equipa, que respondem a um outro comentário, no grupo Desporto Cabo-verdiano, no Facebook, dizendo estar descontente.

“Esta selecção de Cabo Verde de 2017 tem uma base de seis jogadores que já se conhecem há muito tempo. Eu, o Fidel e Braima estamos na selecção juntos desde 2006. Eu, Fidel, Braima, Joel e Jeff e Rudolph desde 2009. Vamos adicionar de 2010 a 2012, o Michel Mendes, Kevin Coronel, Edy Tavares e Dimitry Coronel. Ou seja não só temos experiência mas temos uma base de jogadores que no mínimo já participaram em dois Afrobasket”, começou Ivan Almeida.

“Então essa tua [respondendo a Vitocas no grupo] lógica que jogadores entram e saem não esta bem explicada. Os jogadores entram e saem porque a antiga federação não tinha organização suficiente para programar estágios e jogos de preparação para ter uma selecção coerente, então muitos jogadores preferiram não participar por vezes”, esclareceu o jovem que joga na primeira divisão francesa de basquetebol.

“Depois de 2007, o bronze em Angola, tivemos dificuldades de continuidade porque após o AfroBasket 2007 muitos jogadores foram negados os seus prémios e dinheiro e equipamentos que foram entregues a federação e que os jogadores nunca viram. Depois o torneio que se organizou em 2008 para a pré-qualificação para os jogos Olímpicos pós um fim a uma era de jogadores tal como a tua a do Aquiles e outros então começou-se uma nova era dos Rudolphs, Jeffs e muito mais em 2009. Eu estive ai nessa transição porque estou na selecção desde 2006 conheci essa transição”, continuou Ivan Almeida.

“Problemas financeiros? sim sempre existiram e sempre vão existir visto a dimensão do nosso país. O que devemos fazer é trabalhar para diminuir essas dividas”, disse Ivan em um dos vários pontos no seu comentário.

Outro que fez ‘uso da palavra’ foi Michel Mendes que joga no Sampaense, em Portugal. “Selecção base já temos, como jogadores com mais de dez anos a jogarem juntos. Temos novos talentos e acho que esta geração merecia uma chance [de jogar no AfroBasket]”.

Rodrigo Mascarenhas, ex-internacional cabo-verdiano, utilizou o seu perfil no Facebook para desabafar: 

“E era uma vez o AFROBASKET 2017 !!!

Edy Tavares (1º jogador PALOP + Portugal a jogar na NBA)
Ivan Almeida (1ª divisão Francesa / MVP e melhor marcador da Zona 2)
Jeff Xavier (Fc Porto / melhor marcador Afrobasket 2009)
Kevin Coronel (Eléctrico / Liga portuguesa)
Kevin Gomes (Fc Porto / Liga portuguesa)
Flávio Gomes (Lusitânia / Liga portuguesa)
Shane da Rosa (Liga Portuguesa)
Michel Mendes (Sangalhos / Liga Portuguesa)
Fidel Mendonça (melhor marcador do ultimo campeonato de clubes africanos)
Brian Rudolph (jogador e treinador adjunto numa universidade americana)
Joel Almeida (Liga espanhola Leb Prata)
Dimitry Coronel (Universidade nos Estados Unidos)
Edvaldo Ferreira (Universidade nos Estados Unidos)

Jogadores disponíveis com experiência de AfroBasket ou jogos de apuramento para AfroBasket, todos com idade ainda para jogarem 3 ou mais AfroBasket.

Qualquer federação africana e seleccionador gostariam de contar com estes jogadores!
No entanto, a Federação decidiu retirar a selecção sénior masculina do próximo AfroBasket, justificando que a prioridade é a formação, ganhando desta forma uma base para o Afrobasket 2019.

Dentro de dois anos teremos melhores jogadores do que estes? Eles ficam em banho-Maria??? Onde estão os nossos jornalistas? A discutirem se Messi é melhor que Ronaldo? Onde estão os Auto-proclamados Doutorados em desporto da nossa sociedade que não conseguem ver a repetição do que se passou recentemente com o nossa selecção de futebol?

Sendo uma federação recém-eleita, acho que seria mais sensato e honesto da parte deles, assumirem que se calhar não têm dinheiro e nem estão preparados para fazer a qualificação já em Fevereiro, do que estarem a inventar desculpas. Eles não têm experiência nem alcance internacional. Estamos em Fevereiro e ainda não há nenhum campeonato regional a decorrer, o que lhes deve estar a provocar medo de falhar, mas HEY, este é o mundo do desporto.

Sejam homens e assumam as vossas responsabilidades. Não podem desrespeitar os jogadores internacionais existentes, como provam algumas mensagens que recebi de jornalistas internacionais (Canadá, Inglaterra e da Fiba-África), espantados com esta decisão. Enquanto uma delas questiona sobre como é possível Cabo Verde, que foi cabeça de série no último Afrobasket, estar fora deste, outro pergunta se Cabo Verde se encontra em guerra civil! Sinceramente não sei o que responder.

Mas o mais interessante é que nisto tudo, o seleccionador fica até 2019 a receber o seu salário sem fazer um único jogo oficial; e no dia que fiquei a saber desta decisão da federação, li um artigo em que dizia que o nosso governo quer internacionalizar o Pais através do desporto?!

A aposta na formação é algo que defendo incansavelmente há muito tempo, mas que não invalida abrir mão de uma selecção já com nome a nível continental composta por grandes jogadores”.