Os resultados do inquérito instaurado para apurar as circunstâncias em que se verificou o falecimento de João da Cruz “Djonny”, de 14 anos, apontam que não houve negligência médica na assistência ao paciente.

Após os procedimentos, o relatório enviado à Inforpress aponta que “não houve negligência médica”, realçando-se que “todas as informações que constam nas fichas do processo clínico foram preenchidas e estavam legíveis”, o que “facilitou” a análise do processo.

Segundo o mesmo documento, “a causa da morte foi leucemia aguda”, realçando que o adolescente esteve pelo menos 48 horas em casa a ser tratado pelo pai, que é enfermeiro, e que toda a assistência médico-hospitalar prestada desde a entrada do adolescente doente no Centro de Saúde da Brava até ao óbito no Hospital do Fogo “foi em tempo aceitável, e com as condições necessárias para a prestação dos cuidados que o quadro clínico exigia”.

Quanto ao atraso de cerca duas horas na realização das análises no centro de Saúde da Brava, justificou-se que a mesma foi ditada pelo “quadro clínico não emergencial” e considerou-se que este “não influenciou o desfecho desfavorável para óbito”.

Quanto ao processo de evacuação, de acordo com a mesma fonte a “proposta foi imediata perante o quadro analítico e se não houvesse transtornos causados pelo transporte, o doente chegaria mais cedo ao HSFA no Fogo”, mas “sem certeza de que sobreviveria dado à evolução clínica, que foi muito aguda, rápida e agressiva”.

O relatório realça que, chegando ao HSFA, no Fogo, os tratamentos que este receberia seria a transfusão de glóbulos disponíveis no hospital, que “serviria como tratamento de apoio, e não como garantia de sobrevida”.

O mesmo aponta como sendo “grave” a ausência da ambulância no cais do Fogo, levando a que o adolescente fosse transportado numa viatura de caixa aberta de um particular, visto que a viatura enviada pelo Hospital foi um Hyace e não possuía condições para transportar um doente em estado grave.

Em relação ao transporte marítimo, o relatório aponta que as condições marítimas do canal que liga Brava-Fogo, com forte ondulação, tornam difíceis e inseguras quaisquer evacuações, por via marítima, mas que mesmo que a evacuação do Djonny tenha sido de forma “precária” eram as possíveis.

O inquérito iniciou-se no dia 10 de Agosto, com uma equipa liderada pela médica Yolanda Landim, gineco-obstetra, em exercício no Hospital Universitário Agostinho Neto, e integrada por Hélida Djamila Fernandes, médica pediatra em exercício no Hospital Universitário Agostinho Neto e Cilene Silva, gestora do Fundo de Segurança Marítima.

Neste inquérito, foram ouvidos seis profissionais do Centro de Saúde da Brava, incluindo o pai, o delegado de Saúde e dois profissionais de Saúde do Hospital São Francisco de Assis, no Fogo, entre eles o director clínico, assim como foi consultada a CV Interilhas, de modo a identificar o nível de cumprimento da obrigação contratual de permanência de um navio nas imediações da ilha da Brava, de prontidão para situações de urgência.

Por: Inforpress