A China vai aumentar este ano o orçamento da Defesa em 7,2%, para mais de 213 mil milhões de euros, foi hoje anunciado na abertura da sessão anual do órgão máximo legislativo do país.

aumento dos gastos, para 1,665 biliões de yuans (213,242 mil milhões de euros) surge num período de tensões no mar do Sul da China e no estreito de Taiwan.

As tensões têm sido particularmente significativas com as Filipinas, que reforçaram a aliança militar com Washington para travar as ambições da China, o que levou a confrontos entre navios de ambos os países nos últimos meses, suscitando preocupações sobre potenciais combates armados na região.

Sobre Taiwan, Pequim considerou que o Partido Democrático Progressista (DPP, pró-independência), que está no poder há oito anos e vai continuar a estar depois de ter vencido as recentes eleições presidenciais, está a deitar achas para “a fogueira acesa pelos separatistas”, ao aumentar também o orçamento de Defesa da ilha e ao assinar acordos para receber armas dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro chinês afirmou, no relatório sobre o trabalho do Governo, que a China “vai opor-se resolutamente” a qualquer “atividade secessionista que vise a ‘independência de Taiwan'”, bem como à “interferência de forças externas” na ilha, que é autónoma desde 1949 e cuja soberania é reivindicada por Pequim.

“Promoveremos o desenvolvimento pacífico das relações entre os dois lados do estreito, mas defenderemos a grande causa firme e imutável da reunificação da nossa pátria. Aprofundaremos o desenvolvimento integrado das duas partes e aumentaremos o bem-estar dos nossos compatriotas de Taiwan”, afirmou Li Qiang.

À margem da reunião, Li afirmou que a China vai prosseguir uma “política externa independente” e um “desenvolvimento pacífico” baseado na abertura e na cooperação.

“A China procura promover uma multipolarização global igualitária e uma globalização económica inclusiva da qual todos possam beneficiar”, afirmou.

Li disse ainda que o país “vai lutar” contra o que considera “atos de hegemonismo e autoritarismo”, e trabalhar com a comunidade internacional para implementar a Iniciativa de Desenvolvimento Global, concebida pelo gigante asiático e destinada a acelerar a implementação da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.

A China vai também promover a Iniciativa de Segurança Global proposta pelo Presidente chinês, Xi Jinping, que se opõe à utilização de sanções na cena internacional e de alianças entre blocos.

De acordo com especialistas citados nos últimos dias pelo jornal oficial Global Times, o orçamento da Defesa – que surge após a purga de vários oficiais militares de alta patente e a demissão, em outubro, do anterior ministro – procura “satisfazer as necessidades do país face a um ambiente de segurança desafiante”.

Por: Lusa