Cinquenta por cento da população cabo-verdiana vai ser idosa num horizonte de treze anos, disse a consultora internacional Karla Giocomin na apresentação do Plano Estratégico Nacional para Cuidado e o Envelhecimento Activo para o horizonte 2017-2021 (PENCEA).

Karla Giocomin, que apresentou nesta semana na Cidade da Praia o plano, para a sua validação, afirmou que se o país continuar nesse caminho o custo da saúde vai ser muito maior, visto que em 13 anos o sector não vai conseguir aumentar o seu orçamento em 50%.
“Os cuidados com uma pessoa idosa, com alguma incapacidade, têm custos três vezes maior do que com uma pessoa independente, razão por que a saúde tem de trabalhar para uma abordagem multidirecional visando uma atenção integral”, realça.
Segundo Karla Giocomin, no sistema de saúde de Cabo Verde ainda existem muitos males críticos que têm a ver com a demanda espontânea todos os dias à procura do serviço de saúde, interferindo nas rotinas do serviço, o despreparo do serviço para cuidados da pessoa idosa, entre outros.
Segundo a especialista, tudo isso é agravado por uma falta de informação sistemática sobre que serviços são prestados, a cobertura dos cuidados primários de saúde que não atinge um quatro da população cabo-verdiana, limitação de recursos humanos, entre outros.
Perante isso, aponta como uma das orientações do plano, a organização dos serviços de saúde para que o atendimento seja feito primeiro nos centros de saúde, pois, com o aumento de esperança de vida, que do sexo masculino é de 72.2 anos e do sexo feminino 82.2 anos, tudo pode complicar-se.
E como não se pode dedicar o plano apenas às pessoas idosas, a especialista recomenda na sua integração pessoas envelhecendo, uma vez que a tendência da velhice é determinada pelos exageros da vida com o consumo excessivo do tabaco, álcool, sono, acesso a um bom ambiente social e económico, a uma boa alimentação, entre outros.
Neste caso, aconselha que se Cabo Verde quer uma política de saúde para idosos deve interferir bem cedo nos determinantes da saúde, pois, “é na saúde dos jovens de hoje que se constrói os velhos do futuro”.
Em Cabo Verde o INE prevê é a existência de um envelhecimento acelerado com aumento de 50% do contingente idoso da população entre 2017 e 2030, sendo a feminização da população idosa à volta dos 61.7%.
Fonte: Inforpress





