O surto de hantavírus no navio cruzeiro MV Hondius já causou três mortes e há cinco outros casos suspeitos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera baixo o seu risco para a população mundial.
A empresa proprietária do navio e organizadora do cruzeiro, a Oceanwide Expeditions, informou hoje que “não existem indivíduos sintomáticos a bordo” do Hondius, que partiu ao final da tarde de quarta-feira de Cabo Verde e “está a navegar para as Ilhas Canárias, especificamente para o porto de Granadilla (Tenerife)”, viagem que deverá demorar “entre três e quatro dias”.
Os hantavírus são vírus zoonóticos, caracterizados por infetar roedores, e diferentes espécies circulam na Europa, na Ásia e no continente americano. Apenas algumas das espécies estão associadas a infeção humana, caso em que podem causar doença grave.
Segue uma cronologia dos principais acontecimentos relacionados com o surto:
1 de abril
O navio cruzeiro MV Hondius parte de Ushuaia, na Argentina, para atravessar o Atlântico Sul em direção às Ilhas Canárias, em Espanha, com uma rota que incluía a Antártida Continental, as Ilhas Malvinas, a Geórgia do Sul, a Nightingale e a Tristão da Cunha.
A bordo seguiam 149 pessoas de 23 nacionalidades, entre as quais um português.
11 de abril
Um passageiro holandês morre na sua cabine, depois de ter apresentado sintomas gripais desde 06 de abril, que progrediram rapidamente levando a graves dificuldades respiratórias.
24 de abril
O corpo do passageiro é levado para a ilha de Santa Helena. A mulher do passageiro também abandona o navio e é transferida para Joanesburgo, na África do Sul.
Na mesma data, desembarcaram na ilha cerca de trinta passageiros, que foram rastreados para detetar eventuais infeções.
26 de abril
A mulher da primeira vítima mortal também morre, confirmando-se a infeção por hantavírus.
27 de abril
Um passageiro britânico adoece no navio e é transferido para a África do Sul, onde é internado num hospital de Joanesburgo. Também testa positivo para hantavírus.
2 de maio
A OMS é oficialmente notificada do surto e uma outra pessoa morre.
A agência para a saúde das Nações Unidas confirma pelo menos seis casos, três mortos e três suspeitos de infeção.
3 de maio
O navio entra em águas de Cabo Verde e ancora perto da capital do país, Praia.
4 de maio
As autoridades cabo-verdianas negam a entrada no porto ao navio por razões de segurança pública nacional.
É ponderado o desembarque nas Canárias para exames médicos, tendo a OMS pedido a Espanha que preste assistência aos doentes com base no “cumprimento do Direito Internacional e no espírito humanitário”, segundo o Ministério da Saúde espanhol.
05 de maio
O ministro da Saúde sul-africano informa que a estirpe de hantavírus detetada num dos passageiros do navio transferido para um hospital na África do Sul é a andina, a única transmissível entre humanos.
A OMS eleva para sete o número de pessoas afetadas pelo possível surto e as autoridades da Suíça relatam um oitavo caso confirmado num passageiro que tinha desembarcado anteriormente e regressado a Zurique.
A organização indica que procura localizar os mais de 80 passageiros a bordo do avião onde foi transportada a passageira transferida da ilha de Santa Helena para Joanesburgo.
6 de maio
Três passageiros suspeitos de terem sido infetados, dois em estado grave e um assintomático, abandonam o navio cruzeiro e partem para os Países Baixos em dois aviões ambulâncias.
O MV Hondius parte de Cabo Verde com destino ao porto de Granadilla de Abona, em Tenerife, a maior das ilhas do arquipélago das Canárias.
A Argentina indica estar a investigar se dois passageiros do navio que morreram devido ao hantavírus contraíram a infeção no país, no Chile ou no Uruguai, antes de embarcarem.
7 de maio
Uma assistente de bordo holandesa é hospitalizada em Amesterdão com possíveis sintomas de hantavírus, após contacto com uma das vítimas mortais do surto.
As autoridades das Canárias dizem que o navio cruzeiro ficará ao largo de Tenerife, sem atracar no porto, e que os ocupantes só serão retirados quando já estiveram no aeroporto os aviões em que serão repatriados.
Na sua primeira conferência de imprensa desde que a OMS anunciou o surto, o diretor da agência, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que até agora, oito pessoas foram sinalizadas como casos de possível infeção, “três das quais morreram” e “cinco destes oito casos foram confirmados como hantavírus, enquanto três outros são considerados suspeitos”.
O responsável admitiu que o número de infetados aumente, dado “o período de incubação do vírus Andes, que pode chegar às seis semanas”.
Por: Lusa






