Devido ao “contributo que tem dado para a criação musical em língua portuguesa”, anunciou o Ministério da Cultura.

músico Dino d’Santiago foi distinguido, esta quarta-feira, com a Medalha de Mérito Cultural pelo Ministério da Cultura de Portugal devido ao “contributo que tem dado para a criação musical em língua portuguesa”.

“O Governo [de Portugal] atribuiu a Dino d’Santiago a Medalha de Mérito Cultural, em reconhecimento do contributo que tem dado para a criação musical em língua portuguesa e para a sua projeção no mundo; pelo seu papel na promoção do diálogo cultural entre os povos que falam português; e pelo empenho que tem posto na defesa da igualdade e no combate a todo o tipo de discriminação”, anunciou o Ministério da Cultura, numa nota publicada nas redes sociais.

Segundo o comunicado, a medalha foi entregue pelo o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, no Estabelecimento Prisional do Linhó, onde o artista “integra semanalmente a iniciativa ‘De dentro para fora’, fazendo da música um espaço de liberdade no interior da cadeia”.

“Este projeto que o Dino faz [no Linhó], e muitas outras coisas que o Dino faz, têm este princípio: utilizar a cultura para promover uma ideia de virtude. Fazer o bem e criar uma comunidade de pertença”, afirma Pedro Adão e Silva, citado pelo comunicado divulgado pelo seu gabinete.

“A forma como o Dino tem aproximado as várias linguagens culturais tem ajudado a tornar o nosso país mais aberto e a projetar uma imagem de uma sociedade mais plural e diversa e, por isso, mais rica”, conclui o ministro da Cultura.

O cantor, músico e compositor Dino d’Santiago, de nome Claudino Jesus Borges Pereira, nasceu em 13 de dezembro de 1982, em Quarteira, no distrito de Faro, numa família de imigrantes cabo-verdianos.

Cresceu no Bairro dos Pescadores da vila algarvia, onde iniciou a ligação à música, primeiro como elemento do coro da igreja local, mais tarde como compositor e criador das suas próprias canções, em espetáculos de rap.

Em 2003, “de maneira quase fortuita”, participou no programa ‘Operação Triunfo’, da RTP, para o qual levou músicas da sua autoria.

A partir de então desenvolveu projetos em que fundiu universos da soul, do hip hop e do R&B, nomeadamente Dino & The SoulMotion e a banda Nu Soul Family, tendo trabalhado com músicos como Virgul, Sam The Kid, Tito Paris, Valete e Pacman.

O primeiro álbum, ‘Eva’, foi lançado há dez anos, facto que Dino D’Santiago assinalou nos dois últimos meses, em espetáculos no Teatro Tivoli, em Lisboa, e na Casa da Música, no Porto.

Antes de ‘Eva’, em 2008, Dino D’Santiago tinha editado ‘Eu e os meus’, enquanto Dino and The Soul Motion. Como Dino D’Santiago, editou ‘Mundu Nôbu’ (2018), ‘Kriola’ (2020) e ‘Badiu’ (2021).

Em ‘Badiu’, enaltece, mais do que nunca, o ‘batuku’ e o funaná, sons de Cabo Verde “que resistiram à opressão”, tal como os ‘badius’, símbolo de resistência, que homenageia com este trabalho.

Essas pessoas, explicou em entrevista à agência Lusa em 2021, são as que foram levadas dos territórios onde se situam hoje a Gâmbia e o Senegal e, posteriormente, da Guiné-Bissau para a Ilha de Santiago, em Cabo Verde, escravizadas pelos portugueses.

Os ‘badius’ foram quem “conseguiu manter a tradição dos ritmos que saíram diretamente de África e não se aculturaram tanto como os que ficaram reféns e foram depois vendidos para outros países, outros mercados”, disse à Lusa. ‘Badiu’ era um termo depreciativo, mas acabou por se tornar “um símbolo de resistência”.

Dino D’Santiago é um dos fundadores do projeto de dinamização cultural ‘Sou Quarteira’.

Recebeu a Medalha de Mérito da Câmara Municipal de Loulé, foi premiado pelos Cabo Verde Music Awards, e tem o recorde dos prémios Play da Música Portuguesa. Em 2010, o projeto Nu Soul Family ganhou o MTV Europe Music Award para Melhor Artista Português.

Por: Lusa