Eleições no Banco Africano: “Não ganhámos porque variáveis de natureza geo-política jogaram”

795

Cristina Duarte ficou em terceiro lugar e o novo presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) é o nigeriano Akinwumi Adesina.

Depois de varias horas de deliberação, num acto eleitoral realizado nesta quinta-feira à margem da 50.ª Assembleia anual dessa instituição financeira, o conselho de governadores do banco elegeram Akinwumi Adesina.

Adesina foi eleito com 58,10 por cento dos votos expressos. Bedrouma Kordjé, representante do Chade, ficou na segunda posição com 31,62 % e a ministra das Finanças de Cabo Verde, Cristina Duarte, ficou no terceiro lugar com 10,27 por cento dos votos.

A Ministra das Finanças já reagiu e declarou, em Abidjan, que não foi pela qualidade da agenda ou falta de credibilidade do país que não ganhou a eleição para presidente do BAD, mas porque variáveis de natureza geo-política jogaram.

“Aliás, se chegámos a essa posição (terceiro lugar, após a Nigéria, que venceu, e o Chade), fizemo-lo, porque, por detrás, estava a credibilidade de um Cabo Verde que teve a ousadia de propor uma agenda que, profundamente acreditamos, é uma agenda que deve guiar a África nos próximos 10 anos”, argumentou em declaraçoes à Inforpress.

“Estou orgulhosa por ter conseguido, juntamente com a equipa de campanha, claro está, colocar a bandeira de Cabo Verde tão alto”, afiançou, salientando, contudo, ter informações que “determinados sectores da geo-política africana disseram, de forma explícita, não estarem ainda preparados para uma presidência feminina”.

“Parti pedra, abri o caminho e acredito que, mais cedo do que tarde, o BAD terá uma presidência feminina. Não será comigo, mas tê-lo-á”, augurou a ministra, que, enquanto governadora do banco e representante de Cabo Verde, espera poder continuar a tentar influenciar positivamente a intervenção da instituição.

Depois desta experiência e da credibilidade que o país ganhou durante este processo, a ministra das Finanças e do Planeamento acredita que Cabo Verde passou a ter uma capacidade de influenciação maior do que antes.

“Perdemos esta eleição, mas a agenda continua em cima da mesa”, reforçou a governante, para quem, para a vitória da Nigéria, pela primeira vez em 50 anos de existência do BAD, deverá ter pesado a dimensão e o papel que representa na geo-política africana.

Akinwumi Adesina, actual ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Nigéria, tornou-se, assim o oitavo presidente do BAD e, a partir de 1 de Setembro, vai ocupar o lugar de Donald Kaberuka que, nos últimos 10 anos, governou a instituição.

 

Fonte: Inforpress