O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a dívida pública de Moçambique aumente para mais de 100% neste e no próximo ano, apesar da aceleração do crescimento económico para 5% e 8,2%, em 2023 e 2024.

No relatório sobre a África subsaariana, divulgado hoje no âmbito dos Encontros Anuais do FMI e do Banco Mundial, que decorrem esta semana em Washington, o FMI apresenta várias tabelas com previsões para os principais indicadores económicos, nos quais estima que o rácio da dívida pública sobre o Produto Interno Bruto (PIB) suba de 76,1%, em 2022, para 102,8% este ano, e 103,1% no próximo ano.

Com exceção de Cabo Verde e da Eritreia, Moçambique é o país com o rácio da dívida pública sobre o PIB mais avultada de toda a região subsaariana, com quase o dobro da média da região, nos 55,5%.

O FMI defende que os países da África subsaariana devem melhorar a gestão financeira, conter a inflação, permitir ajustamentos cambiais e garantir que as alterações climáticas não afastam verbas das despesas básicas.

No relatório sobre a região, divulgado hoje no âmbito dos Encontros Anuais do FMI e do Banco Mundial, o Fundo elenca quatro prioridades para os governos africanos tentarem ultrapassar os desequilíbrios macroeconómicos num contexto de limitações no financiamento.

“Consolidar as finanças públicas e fortalecer a gestão financeira pública num contexto de difíceis condições de financiamento vai depender de uma contínua mobilização dos recursos, melhor gestão dos riscos orçamentais e uma gestão a dívida que tem de ser mais proativa”, escrevem os peritos do Fundo no relatório, que prevê um crescimento de 3,6% para a África subsaariana este ano e 4,2% em 2024, e que tem como título ‘O Grande Aperto no Financiamento’.

A segunda das quatro prioridades tem a ver com a inflação, que subiu para 105 no ano passado e deverá abrandar para cerca de metade este ano: “A política monetária tem de ser cautelosamente dirigida até a inflação estar firmemente numa trajetória descendente e em linha com as metas do banco central”, lê-se no relatório.

Permitir a flutuação da taxa de câmbio, e ao mesmo tempo mitigar os efeitos adversos na economia, “incluindo o aumento da inflação e da dívida devido a depreciações na moeda” é a terceira tarefa prioritária dos governos da África subsaariana, uma região onde o FMI tem em curso mais de 20 programas de assistência financeira, quase metade dos total dos 54 países da região.

O financiamento climático é a última das áreas prioritárias de ação, na qual o FMI defende que “as alterações climáticas e o financiamento para as combater e mitigar não devem afastar despesa das necessidades básicas”, exemplificando com a saúde e a edução.

Por: Lusa