O Governo de Cabo Verde assinou ontem, na ilha do Sal, um memorando de entendimento com um dos maiores grupos de viagens da América Latina, a CVC Brasil, para retomar as ligações áreas entre os dois países.

documento foi rubricado pelo presidente do Instituto do Turismo de Cabo Verde (ITCV), Humberto Lélis, pela presidente da Cabo Verde Airlines (CVA), Sara Pires, e pelo representante da CVC Brasil, Fábio Mader, e prevê o retomar das ligações aéreas com o Brasil no próximo ano, após a suspensão antes da pandemia da covid-19.

“É um grande desafio que nós abraçamos com grande empenho, e temos aqui um grande parceiro da Cabo Verde Airlines, que é a CVC que no passado ajudou-nos a inserir no mercado brasileiro e a transportar os brasileiros para Cabo Verde”, afirmou Sara Pires, pretendendo ainda promover o turismo e as trocas comerciais com aquele país sul-americano.

A companhia aérea faz ligações internacionais com Lisboa (Portugal), Paris (França) e Bérgamo (Itália) e além do Brasil, tem ainda nos planos a retoma dos voos para Bissau, bem como abrir ligações para Boston (Estados Unidos).

Em março de 2019, o Estado de Cabo Verde vendeu 51% da TACV, cujo nome comercial é CVA, por 1,3 milhões de euros, à empresa islandesa Lofleidir Cabo Verde, juntamente com empresários daquele país.

Na sequência da paralisação da companhia durante a pandemia de covid-19, o Estado cabo-verdiano reassumiu em julho de 2021 aquela posição na TACV, alegando vários incumprimentos na gestão, dissolvendo de imediato os corpos sociais.

A CVC Corp é um dos maiores grupos de viagens da América Latina, com marcas que atuam no Brasil, Argentina e Estados Unidos, nos segmentos de férias e lazer, corporativo/negócios, educação (intercâmbio cultural no exterior), gestão e locação de residências.

A empresa vem lançando tendências e ampliando sua gama de produtos e serviços turísticos, a ponto de ser hoje a companhia de viagens líder na preferência dos consumidores brasileiros e a marca mais valiosa do turismo no Brasil.

O representante da CVC Brasil, Fábio Mader, disse que Cabo Verde é uma “grande opção” para o Brasil, entendendo que o acordo vai permitir que os brasileiros voltem a viajar para o arquipélago africano.

O responsável lembrou que os brasileiros “descobriram” o arquipélago um “pouquinho” antes da pandemia da covid-19, através de voos diretos da CVA, e agora o objetivo é “trabalhar fortemente” para a retoma.

“Não tenho dúvidas que os brasileiros querem estar aqui”, garantiu, considerando que o mercado cabo-verdiano é “muito promissor”, com fatores importantes como a localização, mesma língua e o facto de serem ilhas.

O presidente do ITCV, Humberto Lélis, também não esconde a sua satisfação, frisando que o objetivo de Cabo Verde é “revitalizar” o Brasil, um mercado emissor com um “potencial extraordinário”.

“As expectativas são grandes. O Brasil encaixa, perfeitamente, naquilo que pode ser uma solução de diversificação de mercados emissores de turistas para Cabo Verde”, comentou o dirigente, num ato assistido pelo ministro do Turismo e Transporte cabo-verdiano, Carlos Santos.

O turismo em Cabo Verde cresceu 481,5% em 2022, uma retoma após a covid-19, tendo registado 785.272 visitantes, conforme dados oficiais do setor, que representa cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Por: Lusa