Cabo Verde tem uma delegação de 15 pessoas na Web Summit no Rio de Janeiro com a missão de reforçar o trabalho remoto de cabo-verdianos para empresas brasileiras, disse hoje o secretário de Estado da Economia Digital.

“[Viemos] apresentar ao Brasil uma plataforma de talento. Nós queremos que os jovens cabo-verdianos não tenham de sair de Cabo Verde e que possam trabalhar remotamente para o Brasil”, resumiu assim Pedro Lopes a ambição cabo-verdiana, em conferência de imprensa durante a segunda edição da Web Summit na cidade brasileira do Rio de Janeiro.

De forma a fazer cumprir essa ambição, a Cabo Verde Digital assinou hoje um memorando de entendimento com uma ‘startup’ brasileira fundada por um cabo-verdiano “que emprega e procura talento em Cabo Verde para trabalhar em empresas brasileiras”, frisou.

“Viemos dizer ao Brasil que Cabo Verde pode ser uma porta de entrada para o continente africano”, sublinhou Pedro Lopes.

As características de Cabo Verde assim o permitem, garantiu o responsável cabo-verdiano, já que são o país africano mais próximo do Brasil, para além da relação histórica e cultural que existe com este país sul-americano.

“A nossa história está muitas vezes associada a pessoas que foram escravizadas. Não temos nenhum tabu com a nossa história, mas queremos recontar a nossa história”, disse, acrescentando que a inovação e tecnologia é “uma ferramenta para lhes dar força”.

O Parque Tecnológico, que o Governo conta colocar em funcionamento este ano para impulsionar o setor da economia digital, trará condições fiscais competitivas para as empresas internacionais se fixarem em Cabo Verde, segundo o responsável.

“Somos um pequeno país, conhecido pelo turismo, mas queremos contar cada vez mais com empresas internacionais”, disse, acrescentado que a missão passa por  “posicionar um pequeno país para o continente do futuro”, num continente “que está ávido de mudança”.

“Um país onde as pessoas não são perseguidas pela sua cor da pele, pela sua religião, pela sua sexualidade e isso faz de Cabo Verde um porto seguro para esta nova juventude”, concluiu.

O Riocentro, na Barra da Tijuca, recebe até quinta-feira mais de 30.000 participantes, de pelo menos 100 países, mais de 1.000 ‘startups’, cerca de 600 investidores e 600 oradores, numa estrutura apoiada por mais de 210 parceiros e 400 voluntários, de acordo com a organização.

O evento tecnológico, que nasceu em 2010 na Irlanda, passou a realizar-se na zona do Parque das Nações, em Lisboa, em 2016 e vai manter-se na capital portuguesa até 2028. A empresa registou também, além do Rio de Janeiro, uma expansão para o Médio Oriente, com a Web Summit Qatar que se realizou no início de 2024.

Por: Lusa