O Chega quadruplicou o número de deputados eleitos face às últimas eleições legislativas, em 2022, e ultrapassou um milhão de votos, o que levou o presidente do partido a falar num “resultado histórico” e insistir em integrar uma solução de governo. 

De acordo com os dados provisórios da Secretaria-geral do Ministério da Administração Interna, o Chega elegeu 48 deputados, numa altura em que ainda falta atribuir os quatro mandatos pela emigração (círculos da Europa e Fora da Europa).

O partido liderado por André Ventura elegeu em 19 dos 20 círculos do território nacional, com exceção do círculo eleitoral de Bragança. Lisboa, com nove mandatos, e Porto, com sete, foram os círculos nos quais conseguiu eleger um maior número de deputados.

Esses dados provisórios indicam que o Chega conseguiu 18,06%, com 1.108.764 votos, e é a terceira força política com maior número de mandatos na democracia.

O Chega foi o partido mais votado no círculo de Faro, com mais quatro mil votos do que o PS, que ficou em segundo naquele distrito.

Nas últimas legislativas, em janeiro de 2022, o Chega subiu a terceira força política, com 7,38% (399.659 votos), de acordo com o mapa oficial dos resultados publicado em Diário da República. Há dois anos, o partido elegeu 12 deputados, em oito círculos (Lisboa, Porto, Braga, Setúbal, Aveiro, Faro, Leiria e Santarém).

Em 2019, ano em que o Chega foi formalizado e concorreu pela primeira vez a eleições legislativas, o partido elegeu André Ventura como deputado único, tendo alcançado 67 502 votos, que se traduziam em 1,35%.

O presidente do Chega estabeleceu várias vezes como objetivo durante a campanha para as legislativas ganhar estas eleições, apesar de reconhecer a dificuldade da tarefa, e hoje reclamou uma vitória, falando numa “grande noite” para o seu partido.

André Ventura defendeu que este resultado marca o fim do bipartidarismo e disse que o Chega quer ser uma “peça central do sistema político”.

O líder do partido de extrema-direita indicou que vai existir na Assembleia da República uma “maioria clara” entre o Chega e o PSD e voltou a insistir num acordo de governo, recusando um entendimento de incidência parlamentar. Quanto às condições, remeteu para mais tarde, depois de reunir os órgãos do partido.

No seu discurso depois de acompanhar a evolução dos resultados, num hotel em Lisboa, Ventura defendeu que os eleitores pediram “à direita para governar” e salientou que o seu mandato “é para governar Portugal nos próximos quatro anos”.

Ventura apontou baterias ao líder do PSD, Luís Montenegro, que tem rejeitado entendimentos com o Chega: “Só um líder e um partido muito irresponsável deixarão o PS governar quando temos na nossa mão a possibilidade de fazer um governo de mudança”.

O presidente do Chega, que encabeçou a lista por Lisboa, disse que irá fazer “todo o esforço possível para ter um governo alternativo ao PS nos próximos anos”, porque Portugal não pode “ter mais quatro anos de socialismo”.

No entanto, André Ventura indicou que ainda não tinha falado com Montenegro e que na segunda-feira tentaria “levar a cabo o poder que os portugueses” lhe deram para mostrar que os dois partidos estão, na sua ótica, em “condições de criar um governo”.

E alertou que, dados os resultados, em que a AD vai à frente e só consegue maioria absoluta se se aliar ao Chega, o seu partido “pode bloquear tudo”, incluindo o Orçamento do Estado.

Ainda assim, indicou que o Chega saberá “ser responsável e saberá ceder em algumas coisas”.

André Ventura acusou também o Presidente da República de ter tentado “condicionar o voto dos portugueses” e afirmou que os eleitores “disseram direitinho ao Palácio de Belém quem escolhe são os portugueses”.

Hoje, o líder do PSD voltou a recusar entendimentos com o partido de André Ventura, mas sem excluir diálogo.

Por: Lusa