O Ministério da Saúde de Cabo Verde emitiu um comunicado sobre o navio cruzeiro MV Hondius, que está nas águas de Cabo Verde, com três pessoas a bordo infectadas com o Hantavírus.
Eis o comunicado na íntegra:
“O Ministério da Saúde informa que acompanha, desde o primeiro momento, a situação do navio de cruzeiro MV/NV 𝗛𝗼𝗻𝗱𝗶𝘂𝘀, 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗼𝘂 𝗻𝗮𝘀 á𝗴𝘂𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝗖𝗮𝗯𝗼 𝗩𝗲𝗿𝗱𝗲 𝗻𝗼 𝗱𝗶𝗮 𝟯 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗶𝗼, após a notificação através de entidade sanitárias internacionais de um s𝘂𝗿𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗱𝗼𝗲𝗻ç𝗮 𝗿𝗲𝘀𝗽𝗶𝗿𝗮𝘁ó𝗿𝗶𝗮 𝗮 𝗯𝗼𝗿𝗱𝗼, 𝗰𝗼𝗺 𝗼𝗰𝗼𝗿𝗿ê𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗰𝗮𝘀𝗼𝘀 𝗴𝗿𝗮𝘃𝗲𝘀 𝗲 ó𝗯𝗶𝘁𝗼𝘀.
Após avaliação técnica e epidemiológica, as autoridades sanitárias nacionais, decidiram em 𝗻ã𝗼 𝗮𝘂𝘁𝗼𝗿𝗶𝘇𝗮𝗿 𝗮 𝗮𝘁𝗿𝗮𝗰𝗮çã𝗼 𝗱𝗮 𝗲𝗺𝗯𝗮𝗿𝗰𝗮çã𝗼 𝗻𝗼 𝗣𝗼𝗿𝘁𝗼 𝗱𝗮 𝗣𝗿𝗮𝗶𝗮, em aplicação do princípio da precaução e em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional, com o objetivo de proteger a saúde pública nacional.
A embarcação transporta 𝟭𝟰𝟳 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮𝘀, 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲 𝗽𝗮𝘀𝘀𝗮𝗴𝗲𝗶𝗿𝗼𝘀 𝗲 𝘁𝗿𝗶𝗽𝘂𝗹𝗮çã𝗼. Deste total, t𝗿ê𝘀 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮𝘀 𝗮𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮𝗺 𝘀𝗶𝗻𝘁𝗼𝗺𝗮𝘀 e foram devidamente avaliadas e assistidas por uma equipa de saúde, encontrando-se atualmente 𝗰𝗹𝗶𝗻𝗶𝗰𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗲𝘀𝘁á𝘃𝗲𝗶𝘀.
Desde então, o navio permanece em alto mar sob acompanhamento permanente das autoridades sanitárias. A assistência médica necessária está a ser assegurada por uma equipa destacada para o efeito, composta por médicos especialistas, enfermeiros, técnicos de laboratório e foram igualmente preparadas medidas de respostas Hospitalares para eventual necessidade de cuidados diferenciados Hospital Dr. Agostinho Neto.
A situação está a ser devidamente acompanhada através de um trabalho coordenado entre a Direção Nacional da Saúde, as estruturas de saúde locais, o INSP, as autoridades marítimas e portuárias, com o suporte da OMS Cabo Verde/AFRO, Pontos Focais do RSI e autoridades dos Países Baixos e do Reino Unido.
Esta articulação tem permitido uma resposta célere, segura e tecnicamente adequada, garantindo o acompanhamento clínico dos doentes e a preparação de todas as medidas de precaução necessárias, incluindo uma possível evacuação sanitária por via aérea através de avião ambulância dos pacientes em seguimento.
𝗔𝘀𝘀𝗲𝗴𝘂𝗿𝗮-𝘀𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝗮 𝘀𝗶𝘁𝘂𝗮çã𝗼 𝗲𝘀𝘁á 𝘀𝗼𝗯 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼𝗹𝗼, 𝗻ã𝗼 𝗲𝘅𝗶𝘀𝘁𝗶𝗻𝗱𝗼, 𝗮𝘁é 𝗮𝗼 𝗺𝗼𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼, 𝗾𝘂𝗮𝗹𝗾𝘂𝗲𝗿 𝗿𝗶𝘀𝗰𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗮 𝗽𝗼𝗽𝘂𝗹𝗮çã𝗼 𝗲𝗺 𝘁𝗲𝗿𝗿𝗮. Continuamos vigilantes e em estreita articulação com entidades nacionais e internacionais, prontas para adotar quaisquer medidas adicionais que se revelem necessárias.
As informações serão atualizadas, mediante a evolução da situação.
A Direção Nacional da Saúde apela à serenidade e reafirma o compromisso com a transparência, a segurança e a proteção da saúde de todos.
𝗢 𝗾𝘂𝗲 é 𝗵𝗮𝗻𝘁𝗮𝘃𝗶𝗿𝗼𝘀𝗲?
A hantavirose é uma doença infecciosa aguda e grave, transmitida por roedores (ratos) silvestres. Causada por vírus do gênero Orthohantavirus, a infecção ocorre principalmente pela inalação de partículas de urina, fezes ou saliva desses ratos, podendo evoluir para Síndrome Cardiopulmonar (grave falta de ar) ou, menos comum, síndromes renais.
A inalação de partículas contaminadas – por exemplo, durante a limpeza de espaços com presença de ratos – é uma das formas mais comuns de infeção.
𝗔𝘀 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗮𝘀 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝘁𝗿𝗮𝗻𝘀𝗺𝗶𝘀𝘀ã𝗼, 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗮 𝗲𝘀𝗽é𝗰𝗶𝗲 𝗵𝘂𝗺𝗮𝗻𝗮, 𝘀ã𝗼:
Percutânea, por meio de escoriações cutâneas ou mordedura de roedores;
Contato do vírus com mucosa (conjuntival, da boca ou do nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;
Transmissão pessoa a pessoa, relatada, de forma esporádica, na Argentina e Chile, sempre associada aos hantavírus Andes.
O período de transmissibilidade dos hantavírus no homem é desconhecido. Estudos sugerem que o período de maior virem ia seria alguns dias que antecedem o aparecimento dos sinais/sintomas.
Já o período de incubação do vírus, ou seja, o período que os primeiros sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é, em média, de 1 a 5 semanas, com variação de 3 a 60 dias.
Os primeiros sinais da infeção são frequentemente confundidos com gripe: fadiga, febre e dores musculares. Em alguns casos surgem também dores de cabeça, tonturas, arrepios e problemas abdominais.
No entanto, a doença pode evoluir rapidamente. Em poucos dias, surgem sintomas mais graves, como tosse, falta de ar e acumulação de líquidos nos pulmões, o que pode levar a dificuldades respiratórias severas.”






