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Níger, Mali e Burkina Faso criam força armada conjunta antijihadista

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Níger, Mali e Burkina Faso deram hoje mais um passo na sua aproximação, ao anunciarem a criação de uma força militar conjunta para lutar contra os `jihadistas` que atacam estas nações africanas há anos.

Este anúncio surge na sequência da criação por estes países liderados por regimes militares resultantes de golpes de Estado de uma Aliança dos Estados do Sahel (AES), seguida da sua saída da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) que ameaçou intervir militarmente após o golpe que derrubou o Presidente eleito Mohammed Bazoum no Níger, em 26 de julho.

Reunidos em Niamey, os chefes dos exércitos dos três países anunciaram na quarta-feira a criação de uma força conjunta antijihadista, noticiou a agência France-Presse (AFP).

Esta força conjunta “estará operacional o mais rapidamente possível para ter em conta os desafios de segurança” nestes países, indicou o general Moussa Salaou Barmou, Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Níger, num comunicado divulgado no final da reunião.

Os contornos e números desta força não foram especificados.

“Estamos convencidos de que, com os esforços combinados dos nossos três países, conseguiremos criar as condições para uma segurança partilhada”, assegurou Barmou.

O nigerino sublinhou que os três exércitos conseguiram “desenvolver um conceito operacional” que “permitirá atingir os objetivos em termos de defesa e segurança” no imenso território dos três países.

No Níger, Burkina Faso e Mali, confrontados com a violência `jihadista` recorrente e mortal durante anos, os governos civis foram derrubados por sucessivos golpes militares desde 2020.

Estes três países, antigas colónias francesas, viraram as costas a Paris e aproximaram-se económica e militarmente de novos parceiros, incluindo a Rússia, antes de se reagruparem dentro da AES com o objetivo final de criar uma federação.

No final de janeiro, anunciaram também que iam sair da CEDEAO sem estarem vinculados ao prazo de um ano previsto nos textos da organização.

Os seus líderes, o general Abdourahamane Tiani (Níger), o coronel Assimi Goïta (Mali) e o capitão Ibrahim Traoré (Burkina Faso) acusaram repetidamente esta organização de ser subserviente à França.

Também a criticaram por não os ter apoiado na luta que travam contra grupos `jihadistas` afiliados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico que os atacam regularmente, causando milhares de mortes e milhões de deslocados.

Depois de ameaçar intervir militarmente no Níger, a CEDEAO contactou recentemente os três regimes militares, apelando no início de fevereiro à reconciliação.

Em 24 de fevereiro, levantou as pesadas sanções que tinha imposto ao Níger para obter a libertação do presidente deposto Mohamed Bazoum e a sua reintegração no cargo, depois de ter renunciado a fazê-lo pela força.

Os três regimes indicaram que a sua decisão de se retirar da CEDEAO é irreversível.

Após a criação da força militar conjunta, um próximo passo pode ser a saída do franco CFA, moeda comum à maioria dos países de língua francesa na África Ocidental, e a criação de uma divisa comum para o AES.

“A moeda é um passo à frente da colonização. É um sinal de soberania”, destacou o general Tiani no início de fevereiro.

“Não há mais qualquer dúvida de que os nossos estados são a fonte de rendimento da França”, acusou ainda.

Por: Lusa