O número de homicídios em Cabo Verde diminuiu 39% em 2017, num ano em que a criminalidade registou uma redução global de 10,7%, comparando com o ano anterior, segundo dados divulgados hoje pela Polícia Nacional.
Os dados foram avançados pelo diretor da Polícia Nacional (PN) de Cabo Verde, Emanuel Estaline Moreno, na abertura do XI Conselho de Comandos da polícia cabo-verdiana, que está a decorrer na cidade da Praia.
Segundo os dados da PN, em 2017 foram registados 38 homicídios, menos 24 do que os 62 contabilizados em 2016, em que as mortes foram inflacionadas pelo caso Monte Tchota, onde 11 pessoas – oito militares e três civis – foram assassinadas às mãos de outro militar.
No ano passado, segundo a PN, houve mais homicídios na ilha de Santiago, a maior do país (28), sendo 16 dos casos na cidade da Praia.
A polícia cabo-verdiana registou ainda homicídios em Santa Cruz, São Salvador do Mundo, São Domingos, Santa Cataria, Tarrafal, São Miguel, São Lourenço dos Órgãos, todos em Santiago, São Vicente, São Filipe (Fogo), Sal e Boavista.
Globalmente no ano passado a criminalidade registou uma redução de 10,7%, com um total de 22.389 ocorrências, menos 2.683 do que no ano anterior, o valor mais baixo dos últimos cinco anos.
O diretor da PN sublinhou a diminuição da criminalidade em 16 concelhos, com destaque para a Praia, o maior centro urbano do país, em 16,3%, assinalando um aumento em seis municípios-ilha, entre eles o Sal, uma das mais turísticas do país, em 6,5%, e São Vicente (6,9%).
No mesmo período, os crimes contra pessoas registaram uma diminuição de 13,7%, com menos 1.690 casos, e os crimes contra o património com uma redução de 7,9%, com menos 993 casos.
Emanuel Moreno garantiu mais esforços, com formação, disponibilização de mais meios técnicos e humanos à polícia e outras medidas operacionais para «estancar» a criminalidade em Cabo Verde.
A abertura do XI Conselho de Comandos da polícia cabo-verdiana foi feita pelo ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, que também destacou a diminuição do número de ocorrências no geral, e em particular a «diminuição drástica» dos homicídios.
Paulo Rocha assumiu o desafio de garantir «maior coerência» entre as políticas públicas, tendo como objetivo o reforço da cidadania, paz, coesão social, reforço do desenvolvimento social e segurança.
«Inevitavelmente, insta-nos a olhar os fenómenos com maior profundidade e responsabilidade, a não apenas olhar para os números das ocorrências, mas a ver e a compreender as realidades sociais e locais. Desafia-nos a pensar mais estrategicamente, a conceber respostas estruturadas a atuar conjuntamente», disse o ministro, destacando o «elevado desempenho» da PN.
O ministro anunciou que ainda este ano será operacionalizado o Programa Nacional de Segurança Interna e Cidadania, considerando que será um «passo fundamental» e uma «essencial medida de política de segurança», que terá como foco a prevenção e ação articulada.
«Este programa estabelece uma abordagem multissetorial, que se estende a todas as áreas de governação e engloba toda a sociedade, nomeadamente o Governo, a administração local, as organizações e associações da sociedade civil, comunidades, famílias, o indivíduo», mostrou.
Por: Lusa






