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Oito pessoas morreram na Guiné-Bissau acusadas da prática de feitiçaria

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Oito idosos morreram na aldeia de Culadje, norte da Guiné-Bissau, após ingerirem uma substância supostamente tóxica que lhes foi dada para determinar se eram feiticeiras, disse hoje à Lusa o administrador do setor de São Domingos.

Culadje é uma pequena localidade controlada administrativamente por São Domingos, cidade da Guiné-Bissau situada a 25 quilómetros do Senegal e a cerca de 125 de Bissau.

O administrador local, a mais alta autoridade do Estado guineense, Bacar Sadjo explicou à Lusa que os os cinco homens e três mulheres morreram na quarta-feira, depois de terem sido obrigados a ingerir uma substância que se acredita ser tóxica.

A ação, prosseguiu Sadjo, foi conduzida por um grupo de pessoas, supostamente recrutadas por aldeões de Culadje, em vilas vizinhas da parte senegalesa, para “despistar feiticeiros” na vila.

“Essas pessoas que acabaram por morrer foram obrigadas a ingerir uma substância que os aldeões acreditam que tem poderes para revelar quem é feiticeiro. Infelizmente, por serem pessoas idosas, muitas não resistiram e morreram”, explicou o administrador de São Domingos.

Uma equipa da Polícia Judiciária deslocou-se de Bissau para São Domingos, de onde parte ainda hoje para a vila de Culadje, adiantou Bacar Sadjo, que lamenta o que considera ser “uma verdadeira tragédia”.

Ainda segundo Sadjo, a população de Culadje acredita que as mortes de crianças naquela comunidade, nos últimos tempos, estariam a ser causadas por feiticeiros.

“Pensamos que não houve mais mortes nessa prática de ingestão de bebidas supostamente tóxicas porque trouxemos muitos aldeões para o hospital de São Domingos. São pessoas idosas, fracas, logo ao beberem essa substância não iam aguentar”, observou o administrador.

Neste momento, estão internadas em tratamento médico no hospital de São Domingos cerca de três dezenas de idosos da aldeia de Culadje.

Estão detidas cerca de uma dezena de pessoas consideradas responsáveis pela contratação dos `videntes` para detetar os feiticeiros.

Um dos detidos é o Comité (autoridade tradicional) de Culadje, que também foi obrigado a ingerir a substância por ser um idoso na aldeia, explicou Bacar Sadjo.

“O Comité estava detido e a passar mal na cela, foi retirado e levado ao hospital”, disse Sadjo.

Acusações sobre práticas de feitiçarias são recorrentes entre elementos das comunidades guineenses, sobretudo nas zonas rurais.

Por: Lusa