Angola é um dos países que poderão estar a aproximar-se de importantes pontos de viragem nas suas trajetórias democráticas e que merecerão especial atenção durante este ano, segundo a organização não-governamental (ONG) Freedom House.
No seu relatório anual sobre direitos políticos e liberdades civis no mundo, divulgado esta terça-feira, a ONG refere que “o recém-eleito Presidente [angolano], João Lourenço, atuou em 2017 no sentido de enfraquecer o controlo [do país] pela família do seu antecessor [José Eduardo dos Santos]”, acrescentando, contudo, que “falta ainda ver se ele fará um verdadeiro esforço para travar a corrupção endémica ou atenuar as restrições que pesam sobre a oposição política, a imprensa e a sociedade civil”.
“João Lourenço começou a desmantelar a estrutura de poder familiar instaurada pelo seu antecessor, que ocupou a Presidência durante 38 anos e é ainda líder do partido no poder [MPLA]”, lê-se no relatório.
Numa das suas primeiras medidas como chefe de Estado, Lourenço, membro do partido governante e ex-ministro da Defesa de Dos Santos, demitiu a filha do antigo líder do cargo de administradora da companhia petrolífera nacional, [mas] não é ainda claro se Lourenço vai combater a corrupção de forma abrangente ou simplesmente consolidar o seu próprio controlo sobre os círculos do poder e a riqueza pública”, indicaram os relatores.
No documento, intitulado “Freedom in the World 2018: Democracy in Crisis” (“Liberdade no Mundo 2018: A Democracia em Crise”), a organização não-governamental centra-se sobretudo na crise da democracia a nível global sublinhando que “a democracia está sob ataque e a recuar em todo o mundo”, numa crise que se intensificou com “a erosão, a ritmo acelerado, dos padrões democráticos dos Estados Unidos da América”.
Segundo a Freedom House, 2017 foi o 12.º ano consecutivo de queda da liberdade global, com 71 países a sofrerem “claros declínios” nos domínios dos direitos políticos e liberdades civis e apenas 35 a registarem avanços. Dos 195 países avaliados neste estudo, 88 (45%) foram classificados como “livres”, 58 (30%) como “parcialmente livres” e 49 (25%) como “não livres”.
Fonte: Lusa






