Uma análise publicada pela Comissão Europeia mostra que as famílias mais ricas em Portugal detêm 60,2% da riqueza nacional, mais do que tinham há 20 anos. Este total representa um dos maiores aumentos da União Europeia.
Será que riqueza gera mais riqueza? A resposta a esta pergunta é dada numa análise publicada pela Comissão Europeia que mostra que as famílias mais ricas em Portugal detêm 60,2% da riqueza nacional, mais do que tinham há 20 anos, o que representa um dos maiores aumentos da União Europeia.
Na análise, que foi avançada pelo Negócios com base neste estudo, a Comissão Europeia apontou que a riqueza aumentou e que esse crescimento “não foi distribuído de forma equitativa”, o que agravou “a concentração de riqueza no topo da distribuição”.
A conclusão do estudo é que 10% dos mais ricos em Portugal detinham 60,2% da riqueza nacional, em 2023. O levantamento analisa o período entre 2007 e 2023, notando que Portugal aumentou a percentagem de concentração de riqueza em três pontos desde 1995.
Há, no entanto, diferenças significativas entre os países da União Europeia, seja na magnitude ou na velocidade em que se verificou a concentração da riqueza nas últimas décadas.
Esta tendência de subida alarga-se aos países do Sul e da Europa Central e de Leste. Por outro lado, na Europa do Norte e Ocidental, a concentração de riqueza caiu e, em alguns casos, manteve-se.
O estudo refere ainda as heranças. No caso, Portugal não tem imposto sobre a herança direta, propondo assim uma tributação para combater a desigualdade, ao mesmo tempo que considera ser preciso agravar o imposto sobre os mais ricos.
No entanto, o relatório destacou pela positiva o imposto adicional ao IMI aplicado ao imobiliário de luxo e grandes proprietários. Mas, por outro lados, critica as exceções na tributação de mais-valias e a taxa fixa nesta tributação que permite aos super-ricos baixar a fatura fiscal.
De acordo com o Negócios, a Comissão Europeia defende que a tributação dos mais ricos “pode desempenhar um papel importante para lidar com o aumento da elevada e crescente desigualdade na União Europeia, especialmente no topo da distribuição”.
No estudo, as heranças valem quase o mesmo que o trabalho para a criação de riqueza, o que origina impactos sociais e económicos elevados e que, caso fosse implementado um imposto sobre os mais ricos, isso poderia equilibrar a distribuição.
Nos últimos anos, tem sido debatido na esfera pública se o mais ricos deveriam ou não pagar mais impostos. Na Europa, apenas Espanha aplica impostos sobre as grandes fortunas.
Por: Notícias ao Minuto






