Presidente do Sinapol garantiu que a adesão à greve de três dias ronda os 99 %, e acusou o ministro de ser “desleal” com a classe

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O presidente do Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol), José Barbosa, garantiu que a adesão à greve de três dias, hoje iniciada pelos agentes, ronda os 99 por cento (%), e acusou o ministro de ser “desleal” com a classe.

Em declarações aos jornalistas, esta manhã na Cidade da Praia, durante uma manifestação realizada pelos agentes da PN, que percorreu o bairro de Achada de Santo António com passagem pelo Palácio do Governo e término no Platô em frente ao Ministério da Administração Interna, José Barbosa afirmou que a greve iniciou às 08:00 desta quarta-feira e prolongar-se-á até sexta-feira, 29.

“Enquanto sindicato fizemos de tudo para que ambas as partes chegassem a um acordo, mas infelizmente o Governo inviabilizou tudo e não colaborou para que não houvesse um acordo quer em relação aos pontos que tiveram sobre a mesa quer sobre os serviços mínimos”, informou.

José Barbosa, que acusou o ministro Paulo Rocha de ser “desleal” com o sindicato, sublinhou que o Governo “não quis colaborar” porque tinha como propósito lançar a requisição civil.

“Até agora, não temos conhecimento da requisição civil do Governo, sendo que era para estarmos presentes na Direcção-Geral do Trabalho para assinarmos o documento, em que estivemos a discutir durante os três dias e não compareceu o Ministério da Administração Interna nem a Direcção-Geral da Polícia”, explicou.

Em relação aos policiais que não adeririam à greve, salientou que é legítimo cada um fazer o que bem entender, mas assegurou que nas esquadras devem constar alguns elementos.

Adiantou que na manifestação de hoje participam todos os ramos da Polícia Nacional, nomeadamente guarda fiscal, polícia marítima e polícia de ordem pública de toda a ilha de Santiago.

Na ocasião, acusou ainda o ministro de “falta de respeito”, “deslealdade” e de “faltar com a verdade” com a classe uma vez que o Sinapol sempre esteve disponível para negociar de modo a chegarem a um entendimento, e disse esperar que o governante peça a demissão, uma vez que “prometeu demitir-se caso a greve acontecesse”.

“Esperamos que isso acontece para que possamos ter espaço de manobra e tentar minimizar a situação de modo a concertar aquilo que ainda é possível, uma vez que com Paulo Rocha já não há condição, uma vez que sempre foi desleal com o sindicato” precisou.

Em declarações à Televisão de Cabo Verde, (TCV), esta terça-feira, o ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, assegurou que durante esse ano e meio o Governo conseguiu resolver mais de 50 por cento (%) dos pendentes a nível nacional como promoções, progressões aumento salarial num investimento de 205 mil contos.

“A questão que se coloca é o novo aumento do índice salarial que o sindicato previa para o período 2018/2020 com um aumento de 50 para 80, mas também outras questões que são novidades e nos surpreendem e que nunca foi discutida, quando em Março acordamos criar uma plataforma de discussão e análise de questões candentes da classe de forma à sua resolução gradual”, explicou.

Paulo Rocha, que reconheceu que a Polícia Nacional merece todo o respeito e consideração pelo “árduo trabalho exercido”, disse que é preciso ser mais coerente uma vez que o investimento feito em 2017 na PN ascende os 400 mil contos.

Entretanto assegurou que essa greve não vai colocar em causa a segurança das pessoas e do país e que o Governo fará de tudo para a segurança e tranquilidade dos cidadãos.

Para além do nivelamento salarial, os trabalhadores reivindicam também a resolução dos pendentes (promoções e progressões) e a redução da carga horária.

Por: Inforpress