Aos 38 anos e campeão da Taça de Portugal, Stopira celebra 1ª participação de Cabo Verde após tantos Mundiais só como espectador (dos outros);
Ianique dos Santos Tavares, o Stopira, escolheu acreditar, mesmo contra os prognósticos. Escolheu não desistir, lutar até o fim, e por isso tem colhido recompensas imensuráveis aos 38 anos.
Fez o golo que deu a vitória e o título da Taça de Portugal ao Sport Clube União Torreense, da Segunda Liga de Portugal, diante do poderoso Sporting.
A alegria no clube se junta à felicidade de obter a inédita classificação de Cabo Verde à Copa do Mundo da FIFA 2026™, cerca de 18 anos depois de sua estreia pela seleção de seu país. Em outubro de 2025, depois de um período em que já havia abandonado a seleção, voltou para ajudar numa necessidade e saiu do banco para marcar o gol que fechou a vitória por 3 a 0 contra Essuatíni, que carimbou a vaga no Mundial.
“Participar de uma Copa era uma coisa que se calhar tão cedo não imaginávamos que ia acontecer”, disse o jogador. “Nosso povo sempre esteve à espera das Copas para escolher uma seleção para apoiar. Hoje, teremos a graça de torcer para a nossa”, disse ele, que sempre torceu para equipes africanas, além de Brasil e Portugal, ao FIFA.com.
Foram os chutes e dribles com a perna esquerda protagonizados pelo garoto Ianique nas ruas de Cabo Verde que fizeram com que um senhor do bairro associasse o seu nome com o de Yannick Stopyra, atacante francês que disputou a Copa do Mundo de 1986, levando à França até as meias finais. Assim, numa adaptação ao estrangeiro, surgiu o cabo-verdiano Stopira.
“Eu jogava com os amigos do bairro e, pelo meu nome ser Ianique, esse senhor mais de idade me colocou esse apelido. Sou canhoto e ele também era. Surgiu assim. Hoje, na minha camisa, uso Stopira”, contou.
Com 38 anos completados em 20 de maio, Stopira começou a jogar no Sporting Praia, de Cabo Verde, chegando posteriormente ao Santa Clara, da ilha dos Açores, em Portugal. Em 2010, juntou-se ao time B do Deportivo La Coruña, da Espanha. No ano seguinte, foi emprestado ao Feirense e estreou na Primeira Divisão de Portugal. Depois disso, passou 11 anos no Fehérvár, da Hungria. No Toreense, joga desde a temporada 2024/2025.
Contra os prognósticos
Derrotar um gigante de Portugal na final da Taça sempre foi visto como alcançável pelo defensor. E é com esse mesmo pensamento que ele chega à Copa do Mundo, ciente que a equipe africana encontrará enormes dificuldades contra Espanha, Uruguai e Arábia Saudita, as adversárias do Grupo H da Copa, mas que ainda assim terá pela frente um desafio possível de enfrentar.
“Sempre foi o meu grande sonho um dia chegarmos à uma Copa. Quando criança, assistia aos jogos da Copa, aos jogos da seleção brasileira, da seleção portuguesa e dos africanos. E pensava: será que um dia vamos chegar lá com Cabo Verde?”, contou.
“Saber que fiz parte deste feito me deixa muito feliz e grato pela oportunidade de fazer parte deste grupo. Não só eu, mas todos os outros que um dia passaram pela seleção, muitos que não tiveram esse privilégio, também têm seu trabalho envolvido neste feito. Para chegar onde chegamos hoje, tivemos de passar por várias fases da nossa seleção. Agora, estamos prontos para viver esse momento especial”.
Cabo Verde é uma das quatro estreantes da Copa, ao lado de Curaçau, Uzbequistão e Jordânia. O otimismo, porém, parece ser a palavra de ordem para a equipe.
“Temos muito potencial no grupo, muita qualidade, podemos fazer bons resultados e surpreender na Copa, temos toda capacidade de fazer isso. Somos um grupo com muitos talentos e nosso coletivo é forte. Estou muito feliz e ansioso, acho que vai ser um momento único e histórico para o nossos país e para cada um de nós jogadores. Estou com aquele frio na barriga, esperando que a Copa comece logo”, finalizou Stopira.
Por: FIFA





