A Comissão Europeia anunciou hoje a mobilização de financiamento humanitário de 294,2 milhões de euros para as populações vulneráveis na África Oriental e Austral este ano, para responder a graves acontecimentos climáticos e à instabilidade política e social.

Em nota de imprensa, o comissário europeu da Gestão de Crises, Janez Lenarcic, anuncia que esta assistência da União Europeia (UE) “será utilizada não só para ajudar as populações afetadas a satisfazer as necessidades básicas, mas também para reforçar a prevenção e preparação para catástrofes e apoiar as crianças em idade escolar em toda a região através de projetos de educação em situações de emergência”.

O responsável aponta que, nos últimos tempos, “os graves desafios enfrentados pelas populações vulneráveis na África Oriental e Austral foram exacerbados devido a graves acontecimentos climáticos, instabilidade política e conflito e aos efeitos da pandemia”.

“A insegurança alimentar está a crescer devido a secas e cheias, enquanto o acesso limitado a trabalhadores humanitários agrava a situação”, retrata Janez Lenarcic, falando ainda em “numerosas violações do Direito Humanitário Internacional [que] continuam a afetar a região”.

Prevista está a mobilização, durante este ano, de financiamento humanitário para o Djibuti (500 mil euros), República Democrática do Congo e região dos Grandes Lagos (44 milhões de euros), Etiópia (48 milhões de euros), Quénia (13 milhões de euros), Somália (41 milhões de euros), África Austral e região do Oceano Índico (27 milhões de euros), sul do Sudão (41,7 milhões de euros), Sudão (40 milhões de euros) e Uganda (30 milhões de euros).

Acrescem nove milhões de euros que serão atribuídos para dar resposta à situação dos refugiados do Burundi na República Democrática do Congo, Ruanda e Tanzânia e para a continuação do repatriamento voluntário e da reintegração no Burundi.

Em dezembro de 2021, a UE já tinha avançado com uma verba de 21,5 milhões de euros para o Corno de África de forma a ajudar a região a combater aquela que é vista como a pior seca em décadas, que afetou já milhões de pessoas.

A África Oriental e Austral enfrenta várias crises humanitárias prolongadas e novas, como conflitos armados persistentes e violência (na República Democrática do Congo), epidemias recorrentes e catástrofes naturais, agravadas por má governação, pobreza estrutural e desenvolvimento insuficiente (região dos Grandes Lagos) e crises humanitárias que levam a deslocações maciças, insegurança alimentar e nutricional (como no Corno de África, no Djibuti, Etiópia, Somália e Quénia).

Acresce que a instabilidade nesta região é exacerbada por fenómenos meteorológicos extremos, como cheias, ciclones, secas e epidemias.

Em 2021, a Comissão Europeia atribuiu 100 milhões de euros em assistência humanitária para suportar campanhas de vacinação em países africanos com necessidades humanitárias críticas e sistemas de saúde frágeis, dos quais 30 milhões de euros foram destinados à região da África Oriental e Austral, que abrange 24 países.

Por: Lusa