Ulisses diz que Cabo Verde está a negociar com o FMI um programa de assistência financeira e Olavo diz que o país não vai pedir ajuda

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O primeiro-ministro de Cabo Verde disse esta terça-feira à Lusa que o país está em negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um programa de assistência financeira sobre a dívida pública, a segunda maior na África subsaariana.

“Com o FMI estamos a trabalhar num programa de regularização de parte da dívida estrangeira, que depois terá de ser negociada com alguma parceria relativamente aos parceiros”, disse Ulisses Correia e Silva em declarações à Lusa, à margem da sua participação na Horasis Global Meeting, que decorre no Estoril, Lisboa.

O primeiro-ministro respondeu que “ainda não está definida a modalidade” do programa, mas explicou que o executivo está a trabalhar para encontrar uma solução que vá ao encontro das metas que o Governo define no seu programa de reforma, negociado com o FMI” e que este “vai passar por uma parte financeira, não só com o FMI, mas também com os parceiros de desenvolvimento”.

Entretanto hoje, quarta-feira, o ministro das Finanças cabo-verdiano, Olavo Correia, disse que Cabo Verde não vai pedir assistência financeira ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ao contrário do que admitiu na terça-feira o primeiro-ministro cabo-verdiano.

“Não há aqui nenhum pedido de assistência financeira, está fora de questão. O que está em causa é como o FMI pode ajudar Cabo Verde a credibilizar o seu quadro macroeconómico em relação ao futuro, para que possamos atrair mais investimentos privados, nacionais e da diáspora, e estrangeiros para acelerar a dinâmica de crescimento da económica cabo-verdiana”, referiu Olavo Correia.

O arquipélago de Cabo Verde tem uma dívida pública que o FMI estima ir ficar nos 124,7% do PIB este ano e aumentar para 126,7% do PIB em 2019, fazendo com que o país tenha o segundo maior rácio da dívida face à riqueza na África subsaariana.

Por: Lusa