Video mostra o momento em que o advogado José Manuel Pinto Monteiro é detido no Aeroporto da Praia

5186

No dia 19 de Janeiro foi noticia nos meios de comunicação em Cabo Verde que o advogado José Manuel Pinto Monteiro tinha sido detido no Aeroporto Internacional da Praia, Nelson Mandela.

José Manuel Pinto Monteiro

Na altura não fizemos qualquer noticia pois este site estava ‘offline’, mas soubemos na altura que tal acontecimento deveu-se a uma possível recusa do advogado em ser inspeccionado no posto de inspecção e filtragem do referido aeroporto.

Segunda a Radio de Cabo Verde (RCV), na altura, o incidente aconteceu por voltas das 06h00 horas da manhã quando José Manuel Pinto Monteiro, que pretendia viajar no percurso Praia, São Vicente, Lisboa, terá alegadamente “recusado que lhe fosse feita a revista manual dos seus pertences e trespassou a área de segurança, sem autorização prévia, indo directamente para a sala de embarca, sem que lhe tenha sido feito a inspecção pelos seguranças”.

Foi-lhe dito, pelo chefe de segurança, para voltar atrás para ser revistado o que o advogado recusou. Tal facto fez com que fosse detido.

Em sua defesa, o advogado enviou uma carta aberta ao jornal A Nação expondo a situação: 

“Passei as duas pastas no Raio X, passei com os sapatos calçados, mandaram-me voltar, tirei os sapatos e voltei a passar.

Estava a arrumar as coisas, a pôr o cinto, calçar os sapatos e uma Senhora disse para ficar ao lado para minha bagagem de mão ser revistada. Dirigi-me à mesa da revista e perguntei ao Senhor o que ele estava à procura. Que não tinha líquidos, não tinha metais e não tinha substâncias inflamáveis. Dito isto, de imediato, abri a minha pasta e coloquei em cima da mesa tudo que estava no interior da pastas e mostrei ao Senhor que a mala tinha ficado vazia e sem nada no interior.

Tinha o quê: papéis, telemóveis, carteiras e carregadores do telemóvel. Mais nada.

Ele disse-me que não. Que teria de voltar a colocar tudo dentro da pastas para ser ele a tirar e voltar a pôr.

Disse Senhor isto é um absurdo. Já tirei tudo para Senhor tirar o que de não permitido estou a transportar e pode ver e escolher.

De seguida informou-me que já tinham tirado a minha bagagem do voo e não ia viajar.

Disse ao Senhor que ia até aos TACV procurar saber se na verdade já tinha sido excluído do voo.

Chegado a esse local o Senhor do Handling informou que já tinham retirado a minha bagagem. Disse-lhe Senhor tenho consultas, uma ressonância magnética a fazer e outros exames médicos marcados em Lisboa para aproveitar parte do dia 19 e o dia 20, que é feriado em Cabo Verde e voltar no Domingo à noite, para trabalhar na 2.ª feira. Disse que já tinha tirado as bagagens e arrumei para regressar ao local de saída e ir-me embora.

Nisto aparece um agente da PN de quase 2 metros, Denilson Emanuel de Moura Tavares, a dizer-me que tinha de sair do local. Disse-lhe estou a sair. Empurrou-me e disse-lhe Senhor não ponha as mãos em mim por favor. Agarrou-me na parte da frente do casaco e deu-me um pontapé no pé direito e caí ao chão e sofri uma lesão, com derramamento de sangue na articulação do cotovelo direito. Puseram-me as algemas o mais apertado possível e colocaram-me num quarto sozinho. De vez em quando passava uma Agente da PN de cor branca, que sei que é amiga do Príncipe. Nada falei, nada pedi, nem aceitei a ajuda de ninguém. Vieram buscar-me para ser conduzido à Esquadra da Achada Santo António com ordens para ser colocado na cela.

A polícia, antes de tudo isso acontecer, foi ter o Comandante do voo, filho do Senhor Eng.º Daniel Livramento, que havia um desordeiro e para tirarem a minha bagagem. Ele disse para seguirem o protocolo. Mas quando viu que a pessoa que estavam a chamar de desordeiro era EU disse para me deixarem embarcar e que era mais fácil eu embarcar do que retirar a minha bagagem que produzia um atraso ao voo de meia-hora.

Depois disso, ele viu os dois policias a agarraram-me à força para expulsar-me da sala de embarque e ordenou para tirarem a minha bagagem.

Significa duas coisas:

– quando na parte da revista informaram-me que a minha bagagem tinha sido retirado do voo é falsa;

– que o Handling mentiu quando disse que já tinha tirado a minha bagagem do voo.

Só o Comandante do voo tem esse poder.

Na vinda para o carro um dos agentes, porque eu andava devagar, empurrou-me nas costas para acompanhar o ritmo dele e disse-lhe Senhor tenho 60 anos e não posso andar como o Senhor e tenho o meu ritmo de andar. Ele respondeu-me que estava nervoso ou excitado! (É o argumentário policial).

Puseram-me na parte do xadrez do Toyota, devidamente com as mãos por trás algemadas e quando o carro fazia curvas ou andava em alta velocidade ia bater com o corpo no outro lado do veículo e depois voltava e foi assim até chegar à Achada.

Reparei que o meu casaco estava molhado e a camisa cheia de sangue. Tinha uma ferida de 2 cm e 0,5 de profundidade no cotovelo provocado pelo acto do Senhor Denilson Emanuel Moura Tavares.

Alguém a quem devo muito impediu que eu fosse colocado na cela não obstante as ordens superiores e consta que o MAI foi dizer em Conselho de Ministros que ia saltar da sala de embarque para a placa do aeroporto. O meu sobrinho respondeu a esse político se já virei o homem-Aranha.

O resto é o que se sabe fui detido das 6 horas até às 13h 30 m. Fui apresentado ao MP e ao Juiz que marcou o julgamento no dia 2 de Fevereiro. Estarei lá e espero que todos os anónimos que a Nação deixa que me insultem à vontade e que apareçam para aplaudir a claque dos contra JMPM e dos que me têm ódio e que só Freud explica. A vida continua.

Não bebo, não faço paródia, não saio à noite, vivo no meu mundo e só do meu trabalho, sem qualquer laço comestível com o Estado.

Não aceito abuso seja de quem for por mais alto, forte ou poderoso que julgue ou pensa que é. Todos que me fizerem mal, estarei atento a eles e pagarão tudo que me fizeram um dia. Não esqueço nem perdoo.

No dia 29 de Dezembro de 2016 apresentei queixa contra duas das testemunhas que arrolaram no processo contra mim e há grave inimizade com elas. A Senhor Ester Tavares disse-lhe que não me esqueço dela e ela respondeu-me que nem quer ouvir falar de mim. A Senhora Denise Jorge é também minha inimiga e apresentei queixa contra ela”.

DTudo1Pouco, conseguiu, em primeira mão, o video que mostra como tudo aconteceu, um video que não tem audio, mas com imagens esclarecedoras sobre o caso.

Video mostra o momento em que o advogado José Manuel Pinto Mon…

Para perceber melhor esta historia clique aqui –> http://dtudo1pouco.com/video-mostra-o-momento-em-que-o-advogado-jose-manuel-pinto-monteiro-e-detido-no-aeroporto-da-praia/

Publicado por DTudo1Pouco em Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2017

O julgamento do advogado José Pinto Monteiro, por desobediência à autoridade, está marcado para amanha, dia 02 de Fevereiro.