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Web Summit. `Startups` cabo-verdianas sentem-se capazes de competir no Brasil

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Representantes de duas startups cabo-verdianas presentes na primeira edição da Web Summit, no Rio de Janeiro, disseram hoje à Lusa que superaram as expectativas e que se sentem capazes de competir no mercado brasileiro.

“O balanço é ótimo, até ao momento está superando as nossas expectativas”, afirmou à Lusa, na quarta-feira, penúltimo dia de uma das maiores conferências tecnológicas do mundo, o responsável pela AZ Inovação e Tecnologia, Anísio Gonçalves.

Até agora, disse, a sua empresa ligada a prestação de serviço, venda de software, está a cumprir todos os objetivos a que se propôs.

“É um evento de envergadura mundial onde encontramos imensas soluções, imensas oportunidades”, afirmou.

Já o responsável pela Cvbuy.cv, Amilson Garcia, uma startup de marketplace e ecommerce, disse à Lusa acreditar que este evento mostrou que as startups de Cabo Verde demonstraram que conseguem competir” nesse mercado mais avançado”

“[Este evento é] muito importante porque nos ajuda a ter uma visão mais clara do que está a ser feito aqui neste mercado que já está mais avançado e que nos permite levar todo esse conhecimento para o nosso mercado e inovar o nosso mercado”, explicou.

“Estando aqui e vendo as startups existentes aqui nos ajuda a ver com clareza a vantagem e a importância da nossa própria startup”, disse, acrescentando que comparando com o que existe aqui, a sua startup é muito semelhante e avançada.

“Eu acredito que conseguimos competir nesse mercado mais avançado e ter a capacidade de angariar bons investimentos com bons investidores internacionais”, sublinhou.

Além da presença de duas `startups`, através do programa “GoGlobal”, operacionalizado pela Cabo Verde Digital, num primeiro contacto do país com o mercado da América Latina neste setor na Web Summit, o evento contou na terça-feira com o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, que procurou mostrar o país ao mercado brasileiro na Web Summit Rio, como um lugar para investimentos.

“No Brasil nós precisamos de estar presentes. Mostrar que Cabo Verde existe”, afirmou Ulisses Correia e Silva, em conferência de imprensa, depois de ter participado numa palestra na Web Summit, no Rio de Janeiro, em que procurou demonstrar as qualidades do país para investidores e nómadas digitais que queiram se instalar na ilha.

“O Brasil conhece Cabo Verde por outras coisas, não conhece Cabo Verde por causa do digital”, disse Correia e Silva, frisando que a intenção do país “é atrair o interesse do investidor brasileiro para Cabo Verde”.

“Nós estamos próximos, três horas e meia Fortaleza-Praia”, afirmou, piscando o olho ao turismo do gigante sul-americano.

Ulisses Correia e Silva disse ainda que o objetivo é estar cada vez mais presente no Brasil.

 “Estamos a ver se preparamos um fórum de Cabo Verde no Brasil para pôr em contacto investidores cabo-verdianos e investidores brasileiros e apresentar o país”, anunciou o primeiro-ministro de Cabo Verde.

O objetivo, frisou, passa por alterar a perceção do que é Cabo Verde, um país que, na sua opinião, evoluiu muito nos últimos 30 anos em áreas importantes como a tecnológica.

Procurando cativar nómadas digitais brasileiros para Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva afirmou que “é já uma realidade que existe em Cabo Verde”, mas que ainda existe “muito por explorar” de forma a “aumentar o nível da participação do Brasil em todas as áreas da economia, comércio, na área da indústria, na área das tecnologias, economia azul”.

Sobre o uso tecnológico nas mudanças climáticas, o primeiro-ministro de Cabo Verde disse ser uma matéria de “dimensão muito importante”.

O país, apontou, tem sol, vento e mar, sendo que o objetivo passa agora por “transformar esse recurso em energia, utilizando mais investigação” para serem “muito mais eficientes nessa transformação de transição energética”.

“Temos metas muito ambiciosas, o nível de penetração de energias renováveis em Cabo Verde é cerca de 20% neste momento e queremos atingir mais de 50% em 2030”, sublinhou.

De acordo com dados oficiais, participam na primeira edição da Web Summit Rio 21.367 participantes de 91 países, 974 `startups`, representando 28 setores.

Por: Lusa